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Quantos Painéis

Quão preciso é o resultado?

Em resumo: comparamos a plataforma com um programa profissional de projeto em cinco cidades. Nas cinco, a plataforma estimou de 4% a 7% menos energia que o programa. Ou seja, ela errou sempre para o lado seguro.

Mesmo assim, a geração de um sistema de verdade pode ser maior ou menor que as duas estimativas. Isso depende do telhado, da sombra, da sujeira e da instalação. Por isso, use o resultado como uma boa estimativa para conversar com as empresas, e não como uma promessa.

Com o que a plataforma foi comparada?

Com o PVsyst, um programa usado por engenheiros para projetar sistemas solares. A plataforma faz uma conta simples, com médias de cada mês. O PVsyst simula o sistema hora a hora, com a temperatura dos painéis, o comportamento do inversor e várias perdas que a plataforma resume num número só.

O teste foi feito assim:

  • Cinco cidades, uma de cada região do Brasil: Bom Jesus da Lapa (BA), Cuiabá (MT), Guaíra (PR), Manaus (AM) e Campinas (SP).
  • O mesmo sistema nas duas ferramentas: os mesmos painéis, o mesmo inversor e os mesmos dados de sol da NASA.
  • Painéis deitados (na horizontal) nas duas, para comparar só o jeito de calcular, e não a posição do telhado.

Por que essas cinco cidades?

Porque cada uma coloca a plataforma à prova numa situação diferente. O Brasil é grande, e o sol e o calor mudam muito de um lugar para outro. Para o teste não valer só para um tipo de clima, escolhemos uma cidade em cada região do país, cobrindo uma faixa ampla de sol e de temperatura:

CidadeRegiãoSol (h/dia)TemperaturaO que ela testa
Bom Jesus da Lapa (BA)Nordeste6,0426,8 °CO maior sol dos cinco, com calor, o ano inteiro
Cuiabá (MT)Centro-Oeste5,2726,6 °CSol forte e calor, no meio do país
Guaíra (PR)Sul4,9423,0 °CA maior diferença entre verão e inverno: 6,5 horas de sol em janeiro e só 3,0 em junho
Manaus (AM)Norte4,6727,1 °CPerto do Equador: o menor sol e o maior calor, quase sem estações
Campinas (SP)Sudeste5,1420,5 °CO clima mais ameno dos cinco
Sol: horas de sol pleno por dia, média do ano. Temperatura: média do ar. Médias de 2001 a 2020, da NASA POWER.

Por que o calor importa? Painel quente rende menos. Então, além de sol, o teste precisava de lugares mais quentes e mais frios, para ver se a plataforma erra diferente em cada um. E erra mesmo: Campinas, a cidade mais fria, teve a maior diferença para o PVsyst. O porquê está logo abaixo, em Por que a plataforma dá sempre menos?.

E o consumo de cada casa?

  • Três cidades (Bom Jesus da Lapa, Cuiabá e Guaíra) usaram o mesmo consumo, 300 kWh por mês. Assim só o lugar muda, e dá para ver o efeito do clima sozinho.
  • Manaus usou 550 kWh por mês, para testar uma casa de consumo alto.
  • Campinas usou 180 kWh por mês, para testar uma casa de consumo baixo, onde o valor mínimo da conta pesa mais.

Nos cinco casos, a ligação foi bifásica e a tarifa foi a mesma, uma tarifa de teste (R$ 0,75/kWh), para que a diferença entre as tarifas das cidades não se misturasse ao efeito do clima.

O resultado

CidadePlataforma (kWh por ano)PVsyst (kWh por ano)Diferença
Bom Jesus da Lapa (BA)4.2364.411,83,98% a menos
Cuiabá (MT)3.6913.872,64,69% a menos
Guaíra (PR)4.3234.574,15,49% a menos
Manaus (AM)7.3697.834,65,94% a menos
Campinas (SP)2.7022.901,86,89% a menos

O que isso quer dizer, num exemplo: em Guaíra, a plataforma calculou 4.323 kWh por ano, e o PVsyst, 4.574 kWh. São 251 kWh a menos por ano, uns 21 kWh por mês.

Antes do teste, definimos que o resultado seria aceito se a diferença no ano ficasse em até 10%. As cinco cidades ficaram dentro disso.

Por que a plataforma dá sempre menos?

Por causa das perdas. Nem toda a energia do sol que chega ao painel vira energia na sua tomada: parte se perde com o calor, nos cabos e no inversor. A fração que sobra se chama taxa de desempenho.

  • A plataforma usa 80% em todas as cidades e em todos os meses. É o limite de cima da faixa de 70% a 80% indicada pelo manual de engenharia do CEPEL-CRESESB para casas no Brasil.
  • O PVsyst calculou de 83% a 86%, o valor de um sistema novo, limpo e sem sombra nenhuma.

A diferença entre esses dois números explica quase toda a diferença na geração.

Mês a mês

O erro muda ao longo do ano. Painel solar funciona melhor no frio, então nos meses frios o PVsyst calcula perdas menores. A plataforma, por sua vez, usa os mesmos 80% o ano inteiro. Por isso o erro é maior no inverno. Em Guaíra, por exemplo, foi de 3,3% em dezembro a 8,0% em julho. Em Manaus, onde a temperatura quase não muda, o erro ficou praticamente igual o ano todo.

Quanto a plataforma estimou a menos que o PVsyst, mês a mês (%)

    Todas as 60 marcas (5 cidades × 12 meses) ficam acima de zero: em nenhum mês de nenhuma cidade a plataforma estimou mais que o PVsyst.

    Ver os números do gráfico em tabela
    Diferença mês a mês, em %: (PVsyst − plataforma) ÷ PVsyst. Valor positivo = a plataforma estimou menos. Geração da plataforma como aparece na tela de resultado; geração do PVsyst dos relatórios no GitHub.
    CidadeJanFevMarAbrMaiJunJulAgoSetOutNovDez
    Bom Jesus da Lapa (BA)3,463,234,034,675,105,865,374,693,412,323,413,42
    Cuiabá (MT)4,184,764,315,216,145,975,474,594,493,763,993,63
    Guaíra (PR)3,874,424,926,027,317,277,987,466,965,124,853,30
    Manaus (AM)6,416,425,946,106,226,376,176,015,245,205,495,98
    Campinas (SP)5,675,606,377,998,958,538,818,408,005,815,834,41

    A diferença muda a minha economia?

    Nas cinco cidades testadas, não. A economia depende da energia que abate a sua conta, e não de toda a energia gerada. Como o número de painéis é sempre arredondado para cima, os painéis indicados geram um pouco mais do que a conta consegue abater. Essa sobra vira crédito na distribuidora, mas não vira dinheiro.

    A energia a mais que o PVsyst calculou cairia nessa sobra. Por isso, nos cinco casos, a economia e o tempo de retorno seriam os mesmos com a geração do PVsyst.

    O cuidado é no sentido contrário: se o seu sistema gerar menos do que a plataforma calculou (por sombra, sujeira ou desgaste), primeiro some a sobra, e só depois a economia começa a cair.

    CidadeSobra (% da geração)
    Cuiabá (MT)2,5%
    Manaus (AM)10,4%
    Bom Jesus da Lapa (BA)15,0%
    Guaíra (PR)16,7%
    Campinas (SP)31,2%

    Em Cuiabá, por exemplo, basta o sistema gerar 2,5% a menos para a economia já começar a diminuir.

    O que muda na sua casa

    As duas ferramentas simularam um sistema ideal, com os painéis deitados. Na sua casa, algumas coisas diminuem a geração e outras aumentam:

    Diminuem:

    • sombra de árvores, prédios ou caixa d'água;
    • sujeira nos painéis;
    • desgaste com o tempo: de 0,5% a 1% por ano, segundo o manual do CEPEL-CRESESB;
    • instalação mal feita ou com pouca ventilação atrás dos painéis.

    Aumentam:

    • um telhado inclinado e virado para o norte. No PVsyst, a posição ideal renderia de 0,7% (Manaus) a 9,1% (Campinas) mais sol que os painéis deitados.

    Ou seja, a geração real pode ficar acima ou abaixo da estimativa. A plataforma não sabe como é o seu telhado, e por isso usa a mesma premissa simples para todo mundo e avisa que ela existe.

    Quanto geram os sistemas de verdade?

    A comparação com o PVsyst usa um sistema ideal, sem sombra e sem sujeira. Estudos que mediram casas de verdade no Brasil mostram o que acontece na prática:

    • No Rio Grande do Norte, 73 sistemas de casas, medidos durante 2022, perderam em média 21% da energia com calor, sujeira, cabos e inversor — quase os 20% que a plataforma desconta. Mas houve sistemas que perderam só 8% e outros que perderam 30% (Fonseca, Vieira e Guerra, 2025).
    • Na Bahia, em Pernambuco e em São Paulo, 1.162 sistemas geraram, em média, quase o esperado (na Bahia, de 5% a 8% a mais), mas com bastante diferença de uma casa para outra (Nota Técnica EPE DEA-SEE 014/2023).

    Na prática: a conta da plataforma acerta a média, mas a sua casa pode gerar uns 12% a menos ou até 15% a mais.

    Esses estudos não fazem a conta exatamente do mesmo jeito que a plataforma. Por isso servem para mostrar o tamanho da variação, e não para comparar número com número.

    Como usar o resultado

    • Para ter uma ideia do tamanho e do custo do sistema antes de pedir orçamento.
    • Para comparar propostas. Se uma empresa prometer bem mais energia para a mesma potência, pergunte por quê: pode ser um telhado bem posicionado, ou pode ser promessa demais.
    • Não é um projeto. Só um profissional habilitado, olhando o seu telhado, pode projetar e instalar o sistema.

    O que este teste não mostra

    O teste tem três limites:

    1. A comparação foi com uma simulação, e não com um sistema de verdade medido no telhado. Comparar com sistemas reais é um dos próximos passos. Enquanto isso, a seção Quanto geram os sistemas de verdade? mostra o que estudos com casas reais encontraram.
    2. Cinco cidades são poucas para tirar conclusões estatísticas sobre o Brasil inteiro.
    3. O erro dos próprios dados de sol da NASA não foi medido. Como as duas ferramentas usaram os mesmos dados, esse erro não aparece na comparação.

    Quer conferir tudo? Os relatórios do PVsyst, as telas dos cinco casos e o código estão no repositório do GitHub. As contas estão explicadas na página Metodologia, e o que a plataforma não considera, na página Limitações.