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Quantos Painéis

O que a plataforma não considera

Em resumo: toda estimativa simplifica a realidade, e a plataforma também. A diferença é que aqui você fica sabendo o que ficou de fora, para que lado isso puxa o resultado e, sempre que foi possível medir, quanto.

Para cada item, indicamos o efeito:

  • ⬆ melhor o resultado real tende a ser melhor que o da plataforma (mais geração, mais economia ou retorno mais curto);
  • ⬇ pior o resultado real tende a ser pior;
  • ⬍ dois lados pode ir para os dois lados.

Os números medidos vêm dos cinco casos de teste (Bom Jesus da Lapa, Cuiabá, Guaíra, Manaus e Campinas), com a tarifa de teste de R$ 0,75/kWh.

Sobre a sua casa

Painéis deitados (na horizontal). ⬆ melhor na vida real A plataforma calcula como se os painéis ficassem deitados. Num telhado inclinado e virado para o norte, eles recebem mais sol: de 0,7% a mais (Manaus) até 9,1% a mais (Campinas). Com o telhado na posição ideal, Guaíra e Campinas precisariam de um painel a menos. A plataforma não pergunta a posição do telhado porque, sem saber a resposta, muita gente chutaria, e uma correção feita sobre um chute seria pior que uma premissa simples e declarada.

Sombra, sujeira e ventilação. ⬇ pior na vida real A plataforma considera que 80% da energia do sol chega à casa. Com sombra, sujeira ou painéis mal ventilados, esse número pode ser menor. Veja a página Quão preciso é o resultado?.

Área do telhado. ⬍ para os dois lados A plataforma não confere se os painéis cabem no seu telhado.

Tipo de ligação. ⬍ para os dois lados Se você não informar, a plataforma considera ligação bifásica e avisa na tela. Se a sua ligação for outra, o valor mínimo da conta muda, e o resultado também:

Caso Monofásica Bifásica (a premissa) Trifásica
Guaíra, 300 kWh/mês 5 painéis, retorno de 54,8 meses 5 painéis, 54,8 meses 4 painéis, 52,5 meses
Campinas, 180 kWh/mês 3 painéis, 64,7 meses 3 painéis, 67,6 meses 2 painéis, 94,3 meses

Quanto menor o consumo, mais o tipo de ligação pesa. Se puder, informe o seu: ele está escrito na conta.

A energia que você usa na hora. ⬆ melhor na vida real Parte da energia dos painéis é usada no mesmo momento em que é gerada, e essa parte não paga Fio B. A plataforma não sabe a que horas você usa energia e considera que toda a geração passa pela rede. Num estudo com 86 consumidores, essa parte foi de 37% em média. Veja a página A economia e o tempo de retorno.

Consumo muito baixo. ⬇ pior na vida real Os inversores do catálogo precisam de pelo menos dois painéis em série. De 76 até cerca de 110 kWh por mês, esse mínimo deixa o sistema maior do que o consumo pede, e o retorno sobe para 10 a 24 anos. Com consumo ainda mais baixo, pode não sobrar nada para abater, e aí a plataforma não indica sistema e explica o motivo.

Sobre a sua conta e as regras

Iluminação pública e outras cobranças. ⬇ pior na vida real A plataforma calcula a sua tarifa com o valor da conta. Se a conta tiver iluminação pública (cobrada pela prefeitura), taxa de lixo, multa, juros ou parcelamento, esses valores não são energia, e os painéis não os reduzem. O campo opcional Cobranças da conta que não são energia, no bloco “Deixar o resultado mais preciso”, desconta esses valores antes do cálculo. Se ele ficar em branco, eles entram como se fossem energia economizada, a economia sai otimista e a tela de resultado avisa. Em Manaus, a contribuição residencial era de R$ 47,91 por mês na faixa de 501 a 1.000 kWh (valor proposto para 2022). No caso de Manaus, com o campo em branco, o retorno encurtaria de 40,9 para 35,6 meses.

Impostos. ⬇ pior na vida real A sua tarifa tem impostos (ICMS, PIS e Cofins), mas o Fio B da tabela da ANEEL não tem. Descontar um do outro deixa a economia um pouco otimista. Esse efeito não foi medido, porque o ICMS muda de estado para estado.

Bandeira tarifária. ⬍ para os dois lados A tarifa sai de uma conta só e carrega a bandeira daquele mês. A plataforma usa essa tarifa para todo o período.

Municípios com mais de uma distribuidora. ⬍ para os dois lados Em 481 dos 5.571 municípios, mais de uma empresa atende a cidade — quase sempre uma cooperativa dividindo a área com a concessionária, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e no Paraná. A plataforma pergunta qual é a sua; se você não informar, ela usa a de maior Fio B, que dá a menor economia. A diferença entre as opções do mesmo município é de R$ 0,079/kWh na mediana e chega a R$ 0,38/kWh no caso extremo — o suficiente para mudar o retorno em vários meses. Informar a sua distribuidora resolve: o nome está na conta de luz.

Municípios sem tarifa publicada. ⬍ para os dois lados Em 14 municípios, todos atendidos por cooperativas de Santa Catarina, a tarifa vigente ainda não foi republicada pela ANEEL. Nesses casos a plataforma volta ao valor da distribuidora da capital do estado e declara isso na tela.

Tabela do Fio B com data. ⬍ para os dois lados Cada distribuidora reajusta a tarifa uma vez por ano, em data própria, e a tabela é um retrato. A tela mostra até quando o valor usado vale e avisa quando essa data já passou. A tabela é refeita a partir dos dados abertos da ANEEL por um programa da própria plataforma, que só grava se vier valor vigente para as 27 capitais.

A regra do Fio B de 2029 em diante. ⬇ pior na vida real A subida do Fio B até 2028 já entra no tempo de retorno, que é somado mês a mês. A regra de 2029 em diante ainda não foi definida pela ANEEL, e a plataforma usa 100% do Fio B como premissa provisória, embora a cobrança real tenda a ser maior.

O valor mínimo da conta em todos os meses. ⬇ pior na vida real A plataforma aplica o valor mínimo da conta em todos os meses, como manda a Resolução da ANEEL. A Lei nº 14.300/2022 fala em aplicá-lo só quando o consumo medido fica abaixo dele. Em Campinas, seguir a leitura da Lei encurtaria o retorno de 67,6 para 64,7 meses.

Tarifa social (baixa renda). ⬍ para os dois lados As regras especiais para consumidores de baixa renda não estão no cálculo.

Sobre os equipamentos e o preço

Catálogo pequeno. ⬍ para os dois lados A plataforma trabalha com três painéis e inversores monofásicos de 1,5 a 10 kW, de quatro fabricantes. Não há inversores trifásicos. Acima de 12 kWp, não há inversor no catálogo que atenda, e a plataforma não indica sistema. Veja a página Os painéis, os inversores e os preços.

Sem inversor de 1,0 kW. ⬇ pior na vida real O menor inversor do catálogo é o de 1,5 kW. Num sistema de dois painéis de 600 Wp (1,2 kWp), o inversor fica maior que os painéis: 1,25 vezes a potência deles, acima do limite de 1,05 recomendado pelo manual do CEPEL-CRESESB. O efeito na geração é pequeno, mas o sistema fica um pouco mais caro que o necessário.

Arredondamento dos painéis. ⬇ pior na vida real O número de painéis é sempre arredondado para cima. Isso dá folga de geração, mas custa dinheiro: com um painel a menos, o retorno seria até 5,5 meses mais curto em quatro dos cinco casos de teste.

Corrente dos painéis no calor. ⬇ pior na vida real (efeito pequeno) Na verificação de desempenho, a plataforma usa a corrente do painel nas condições de laboratório. No calor, essa corrente sobe um pouco. Se ela fosse corrigida para 70 °C, só os inversores Growatt MIN de 4,2 a 6,0 kW passariam da tolerância e seriam trocados por um inversor de corrente alta da mesma potência. Quando a corrente passa do limite de entrada, o inversor não se danifica, mas perde um pouco de energia: nos testes com o PVsyst, essa perda foi de no máximo 0,56%.

Preço médio nacional. ⬍ para os dois lados O preço é a média do mercado brasileiro em janeiro de 2026, e não o preço da sua região nem de uma marca. Os preços mudam com o tempo. Em Campinas (1,8 kWp), usar o preço de um sistema de 2 kWp em vez da reta da plataforma encurtaria o retorno de 67,6 para 63,5 meses.

Cabos e proteções. ⬍ para os dois lados Cabos, disjuntores e outras proteções não são dimensionados pela plataforma. Esse é o trabalho do profissional que faz o projeto.

Sobre o tempo de retorno

⬍ para os dois lados O retorno é somado mês a mês, já com a subida do Fio B até 2028 e o desgaste dos painéis. Ele não considera a manutenção, a troca de peças, o reajuste da tarifa acima da inflação nem os juros. Alguns desses fatores deixam o retorno real mais longo, e outros, mais curto. O quadro completo está na página A economia e o tempo de retorno.

Sobre os dados e os testes

Localização da cidade. ⬍ para os dois lados As coordenadas vêm do OpenStreetMap, e o ponto nem sempre é o centro da cidade. Em 91 municípios testados, a distância até uma segunda fonte de coordenadas teve mediana de 0,68 km, e só um passou de 20 km: Bom Jesus da Lapa (BA), com 25,2 km. Mesmo nesse caso, os dados de sol da NASA foram os mesmos nos 12 meses, e o resultado não mudou.

Dados de sol. ⬍ para os dois lados A plataforma usa a média de 2001 a 2020 da NASA, estimada por satélite. O erro dessa base não foi avaliado neste trabalho, e um ano específico pode ter mais ou menos sol que a média.

Os testes. ⬍ para os dois lados A plataforma foi comparada com uma simulação profissional (o PVsyst), e não com sistemas reais medidos. Os testes foram feitos em cinco cidades, o que não forma uma amostra estatística. A tela também ainda não foi testada com usuários leigos.