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Quantos Painéis

Entenda o dimensionamento

"Dimensionar" um sistema solar é descobrir de que tamanho ele precisa ser para a sua casa: quantos painéis, qual inversor, quanto vai gerar, quanto custa e em quanto tempo se paga. Esta página explica, sem conta difícil, como a plataforma faz isso, e usa como exemplo um dos casos de teste da plataforma, em Guaíra (PR): uma casa que consome 300 kWh por mês e paga R$ 225,00 de conta. Com a sua conta, os números serão outros.

1. Como funciona a energia solar em casa

Sol Painéis geram corrente contínua Inversor transforma em corrente alternada Sua casa usa a energia na hora kWh Medidor conta nos dois sentidos Rede da distribuidora a sobra vira crédito De dia: a casa usa o que precisa, e a sobra vai para a rede e vira crédito. À noite ou em dia nublado: a casa usa energia da rede, e o crédito abate a conta.

O sistema que a plataforma calcula é o ligado à rede (também chamado de on-grid). Ele funciona assim:

  1. Os painéis transformam a luz do sol em eletricidade. Essa eletricidade sai em corrente contínua, que os aparelhos da casa não usam.
  2. O inversor transforma a corrente contínua em corrente alternada, a mesma da tomada. Ele também ajusta o funcionamento dos painéis o tempo todo para tirar deles o máximo de energia.
  3. A casa usa essa energia na hora.
  4. O que sobra vai para a rede da distribuidora, passando por um medidor que conta nos dois sentidos: o que entra na casa e o que sai dela. A energia que sai vira crédito.
  5. À noite, ou em dia nublado, a casa usa energia da rede normalmente, e os créditos abatem esse consumo na conta.

Esse sistema não tem baterias. A rede faz o papel de "guardar" a energia.

E se faltar luz na rua? O sistema desliga sozinho e só volta quando a rede voltar. Isso é obrigatório, por segurança: os inversores ligados à rede precisam ter uma proteção (chamada anti-ilhamento) que os desconecta sempre que a rede fica sem energia, por falha ou por manutenção. Assim, ninguém que esteja consertando a rede leva choque por causa da energia dos painéis. Ou seja, painel solar sem bateria não garante luz no apagão.

2. O que a plataforma precisa saber de você, e por quê

A plataforma pede o mínimo possível. Cada dado tem uma função:

O que pedimos Para que serve
Consumo médio por mês (kWh) Define o tamanho do sistema. É o dado mais importante.
Os 12 meses do histórico (opcional) Deixa o resultado mais preciso: o consumo muda ao longo do ano, e o valor mínimo da conta é descontado mês a mês.
Valor (R$) e consumo (kWh) de uma mesma conta Dão a sua tarifa, ou seja, quanto você paga por kWh, já com impostos e bandeira. A economia é calculada com ela.
Cidade Dá a quantidade de sol do lugar e a distribuidora de energia que atende o município. É dela o valor do Fio B.
Distribuidora (só quando o município tem mais de uma) Define o valor do Fio B. Se você não souber, a plataforma usa a de maior Fio B, que dá a menor economia.
Tipo de ligação (opcional) Define o valor mínimo da conta: 30, 50 ou 100 kWh. Se você não souber, a plataforma considera bifásica e avisa.
Cobranças da conta que não são energia (opcional) Iluminação pública, taxa de lixo, multa, juros: saem do valor da conta antes do cálculo da tarifa. Em branco, a economia sai otimista, e a tela avisa.

Não pedimos nome, e-mail, endereço nem cadastro.

3. O caminho do cálculo, com um exemplo

  1. 1Quanto da conta dá para abater
  2. 2Quanto sol a cidade recebe
  3. 3As perdas
  4. 4Quantos painéis
  5. 5Qual inversor
  6. 6Verificação elétrica
  7. 7Geração, economia e retorno

O exemplo: uma casa em Guaíra (PR) que consome 300 kWh por mês, com ligação bifásica e uma conta de R$ 225,00. É um dos cinco casos usados para testar a plataforma.

Passo 1 — Quanto da conta dá para abater

Toda conta tem um valor mínimo, e com painéis ainda se paga uma parte do Fio B sobre a energia que volta da rede (veja a página A economia e o tempo de retorno). A plataforma dimensiona o sistema só para o consumo que, abatido, ainda gera economia. Painel a mais não traz economia, porque a sobra de crédito não vira dinheiro.

  • Em Guaíra, mesmo com os painéis, a conta fica acima do mínimo, porque o Fio B sobre os 300 kWh dá R$ 38,62, e o mínimo é R$ 37,50. Então vale a pena cobrir os 300 kWh inteiros: 3.600 kWh por ano.
  • Numa casa que consome pouco, o mínimo pesa. Em Campinas (SP), com 180 kWh por mês, o sistema cobre cerca de 155 kWh por mês, e não os 180.

Passo 2 — Quanto sol a cidade recebe

A plataforma busca na NASA a média de sol de cada mês da sua cidade, estimada por satélite ao longo de 20 anos (2001 a 2020). Esse número é dado em horas de sol pleno (HSP): é como se todo o sol do dia viesse concentrado em algumas horas de sol forte (1.000 W por m²).

  • Em Guaíra, a média do ano é de 4,94 horas de sol pleno por dia. Mas muda muito com as estações: 6,5 horas em janeiro e só 3,0 em junho.

Passo 3 — As perdas

Nem toda a energia do sol que chega ao painel vira energia na tomada. Parte se perde com o calor (painel quente rende menos), nos cabos, no inversor e com a sujeira. A plataforma considera que 80% chegam à casa, o valor mais alto da faixa de 70% a 80% indicada pelo manual de engenharia do CEPEL-CRESESB para casas no Brasil. Esse número se chama taxa de desempenho.

Passo 4 — Quantos painéis

Agora é uma divisão:

  • Energia por dia: 3.600 kWh ÷ 365 dias = 9,9 kWh por dia.
  • Potência necessária: 9,9 ÷ (4,94 horas de sol × 80%) = 2,5 kWp. O kWp (quilowatt-pico) é a potência dos painéis somada, medida no sol forte de laboratório.
  • Número de painéis: cada painel do exemplo tem 600 Wp (0,6 kWp). 2,5 ÷ 0,6 = 4,2 painéis. Como não existe pedaço de painel, a conta é arredondada para cima: 5 painéis, que somam 3,0 kWp.

O arredondamento faz o sistema gerar um pouco mais do que a conta consegue abater. Em Guaíra, o sistema gera 723 kWh por ano a mais do que a casa consome (20,1% a mais), e essa sobra funciona como uma folga para quando o sistema gerar menos que o previsto (veja a página Quão preciso é o resultado?).

Passo 5 — Qual inversor

O inversor pode ser um pouco menor que os painéis. Painel quente rende menos, e, mesmo com sol forte, os painéis dificilmente chegam à potência máxima. Por isso, usar um inversor um pouco menor, e mais barato, deixa a energia gerada mais barata sem perder quase nada. O manual de engenharia do CEPEL-CRESESB indica que o inversor tenha pelo menos 75% a 85% da potência dos painéis, e não mais que 105%. A plataforma usa 80%: procura um inversor com pelo menos 80% da potência dos painéis.

  • Em Guaíra: 80% de 3,0 kWp = 2,4 kW. O menor inversor do catálogo que atende é o de 2,5 kW.

Passo 6 — A verificação elétrica

Não basta a potência bater: os painéis e o inversor precisam funcionar bem juntos e com segurança. Os painéis ficam ligados em fila (em série), e as tensões de todos se somam. A plataforma confere quatro coisas, no frio e no calor:

  • no frio, a tensão sobe, e não pode passar do limite do inversor, para não danificá-lo;
  • no calor, a tensão cai, e não pode ficar abaixo da faixa em que o inversor trabalha bem;
  • a corrente dos painéis tem de caber na entrada do inversor, com duas verificações: uma de segurança e outra de desempenho.

Em Guaíra: a fila de 5 painéis chega a 281 V no frio (o limite do inversor é 550 V) e fica em 187 V no calor, acima do mínimo de trabalho do inversor. Passou nas quatro verificações.

Se o painel não passar, a plataforma testa outro modelo. É por isso que ela escolhe o painel, e não você: um painel recusado na verificação não deveria ser oferecido como opção. Veja a página Os painéis, os inversores e os preços.

Passo 7 — Geração, economia e retorno

  • Geração: potência × horas de sol de cada mês × 80% × dias do mês. Em Guaíra: 4.323 kWh por ano, mais no verão e menos no inverno.
  • Economia: cada kWh abatido economiza a tarifa menos a parte do Fio B que continua sendo cobrada. Em Guaíra: R$ 186,38 por mês, e a conta cai de R$ 225,00 para R$ 38,62.
  • Preço: a média do mercado para um sistema de 3,0 kWp, segundo o estudo da Greener: R$ 9.150,00.
  • Tempo de retorno: a plataforma soma a economia mês a mês até alcançar o preço. A economia de R$ 186,38 por mês vale para 2026 e diminui até 2029, porque a parte do Fio B cobrada sobe todo ano. Em Guaíra, o sistema se paga em 55 meses, cerca de 4 anos e meio. Pela conta simples, R$ 9.150,00 ÷ R$ 186,38 = 49 meses, que sairia otimista.

O exemplo usa uma tarifa de teste (R$ 0,75 por kWh) e uma simulação feita em outubro de 2026. O resultado de outra casa, com outra tarifa, será diferente.

4. Palavras que aparecem no resultado

Palavra O que quer dizer
kWh (quilowatt-hora) A quantidade de energia. É a unidade da sua conta de luz.
kWp (quilowatt-pico) A potência dos painéis somada, medida no sol forte de laboratório.
Wp (watt-pico) A mesma coisa, para um painel só: 600 Wp = 0,6 kWp.
Horas de sol pleno (HSP) Quanto sol a cidade recebe por dia, contado como horas de sol forte.
Taxa de desempenho A parte da energia do sol que chega à tomada depois das perdas. A plataforma usa 80%.
Inversor O aparelho que transforma a energia dos painéis na energia da tomada.
Crédito A energia que sobra, vai para a rede e abate a conta depois. Vale por 60 meses.
Custo de disponibilidade O valor mínimo da conta, que se paga mesmo com painéis.
Fio B A parte da tarifa que paga a rede da distribuidora. Uma parte dele continua sendo cobrada de quem tem painéis.
Tempo de retorno (payback) Quanto tempo a economia leva para pagar o sistema.
Ligado à rede (on-grid) O sistema sem baterias, que usa a rede da distribuidora para "guardar" a sobra.

Quer ir mais fundo?

  • A economia e o tempo de retorno: por que a conta não zera, o Fio B e o que fica fora da conta.
  • Os painéis, os inversores e os preços: as marcas, o estudo da Greener e por que o seu projeto pode usar outras.
  • Quão preciso é o resultado?: a comparação com um programa profissional.
  • Metodologia: todas as contas, com as fontes.
  • Limitações: o que a plataforma não considera.